Santa Clarita Diet – zumbis não apocalípticos. Ainda.

Sabe quando você quer assistir uma série de boas, sem muitas pretensões, só para se divertir, passar um tempo gostosinho e dar umas risadas? Então, é pra isso que Santa Clarita Diet está nesse mundo. E também pra nos fazer rir de zumbis pulando em pessoas e rasgando pescoços.

Eu tinha achado a premissa muito estranha e nunca gostei de zumbis – acho que a ideia de um mundo apocalíptico de zumbis é bem chata, porque o final, pra mim, é meio óbvio: ou todo mundo vira zumbi, ou descobrem a cura (sorry, fãs de The Walking Dead, não é nada pessoal). E daí que eu não consigo me interessar no caminho a percorrer.

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Até mesmo zumbis têm tempo para uma reunião de família

Mas Santa Clarita é diferente. Para começar, é uma comédia familiar; e a parte zumbi não é vista como algo inteiramente ruim –  depois de se tornar zumbi, a vida de Sheila Hammond (Drew Barrymore, numa interpretação inspiradíssima) melhora: ela ganha mais autoestima, mais energia, mais vitalidade. Claro que isso também traz exageros e a coloca em confusões, mas não é nada daqueles cenários de destruição. Aliás, isso talvez desagrade os fãs do gênero zumbi a princípio, mas esse é o diferencial da série: ela cria uma mitologia própria, e divertida.

Sheila e Joel Hammond (Timothy Olyphant, ótimo) são um casal normal, têm um emprego normal (corretores de imóveis) e uma família normal, com a filha Abby (Liv Hewson). São vizinhos de policiais, o que se torna um problema depois da transformação de Sheila. E tudo que eles querem é levar uma vida normal – o que não é mais possível. Mas, para que fiquem menos perdidos, eles contam com a ajuda do filho de um dos vizinhos, o nerd especialista em zumbis e outras coisas Eric Bemis (Skyler Gisondo).

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“Quer dizer, nós somos os reais zumbis, não somos? Consumindo tudo que queremos sem pensar nas consequências”

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A série já tem duas temporadas na Netflix – a primeira saiu ano passado e a segunda no final de março. Se na primeira temporada a série nos apresenta muito sobre as personagens e o começo das mudanças que a família precisa encarar, nessa segunda nós vamos conhecendo a mitologia criada para essa história e as consequências que começam a surgir por causa das… refeições de Sheila.

Só para deixar claro – Santa Clarita cria, sim, uma mitologia específica, mas não é com desrespeito. A série é quase uma sátira do mundo dos zumbis. É só uma oportunidade de fazer graça com um assunto, em geral, levado para o lado do drama. Não é pra levar a sério; é para rir e explorar as possibilidades de ver essas criaturas com outros olhos.

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Desculpem, não resisti ao trocadilho com os olhos

E a série não economiza no gore – desde o início, quando Sheila produz uma quantidade impossível de vômito antes de morrer, até os ataques que ela vai cometer: espere uma quantidade “tarantinesca” de sangue. E o curioso é que, mesmo nesses momentos mais violentos, Santa Clarita dá um jeito de nos fazer rir, seja pela figura do Joel, da Abby ou do Eric, todos sempre assustados com o que veem. Algumas das melhores cenas acontecem quando Joel começa a ter devaneios por não conseguir enfrentar bem os novos hábitos alimentícios da esposa – essas cenas são o puro ouro da série. Todos os atores parecem estar à vontade dentro dos seus papéis, e a atuação está na medida: a caricatura da família amorosa, da filha rebelde e da mãe que era certinha e agora tem que aprender a se controlar diverte e nos faz torcer, mesmo acompanhando todos os crimes cometidos.

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“Bem, eu não sou um médico especialista, então eu não posso dizer qual é a quantidade correta de vômito” – te garanto que é bem menos do que apareceu naquela cena, Joel

Dá um quentinho no coração ver como o Joel e a Sheila, mesmo passando os maiores perrengues da vida, continuam tendo um relacionamento ótimo. Metas de relacionamento redefinidas, meu povo: queremos alguém que nos ame mesmo se nos tornamos zumbis.

Eu achei o final dessa segunda série bem pensado (não falarei porque spoilers, né?), e estou aqui torcendo por mais uma temporada (ainda não foi nada confirmado pela Netflix, mas eu acho que as chances são boas).

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Todos nós esperando a 3ª temporada: “Aja casualmente”

Como eu digo no título, o mundo não é pós-apocalíptico, o que é mais um diferencial da série. É como se nós estivéssemos acompanhando o início de uma invasão? Ou será que eles vão conseguir reverter esse problema? Não sabemos ainda, mas pode dar tudo certo ou tudo errado. Enquanto isso, vamos rindo dos surtos do Joel, das rebeldias da Abby, das atitudes meio insensatas da Sheila e do medo do Eric. E das participações dos coadjuvantes – preste atenção em todos eles.

Minha recomendação é: se você gosta de comédias, dê uma chance. Mesmo que você deteste zumbis. E se você gosta de zumbis e comédias, dê uma chance também. Essa dieta pode te fazer bem, hehe.

 

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