Sherlock – por que amo a série e odeio o fandom

Essa é uma semana de séries amores da minha vida ❤

A essa altura, você provavelmente já viu Sherlock e tem sua opinião sobre a série. Mas muita gente ainda não viu, mesmo com as 4 temporadas todinhas lá na Netflix. Então, a postagem vai falar da série, mas vai falar também do grande problema dessa produção: o fandom. Sim, os fãs. Mas estou me adiantando.

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Da esquerda para a direita: Greg Lestrade, Mary Watson, Mrs. Hudson, Mycroft Holmes, Molly Hooper. Sentados: John Watson e Sherlock Holmes.

Do que se trata: é a adaptação mais recente da obra mais conhecida de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch – e eu escrevi esse nome sem olhar no google, juro), para uma série, feita pela BBC. Mas, dessa vez, as histórias clássicas do detetive inglês e seu companheiro John Watson (Martin Freeman) se passam nos dias atuais, o que eu considero uma escolha narrativa deliciosa de acompanhar – ainda que eu ache que não funciona bem em alguns episódios, como “O cão dos Baskerville”.

A adaptação é muito cultuada e conhecida pelos seu hiatus enormes entre uma temporada e outra – basta dizer que a série estreou em julho de 2010 e tem ao todo 4 temporadas e 13 episódios. O baixo número de episódios e temporadas se dá por dois motivos principais: as temporadas tem 3 ou 4 episódios com cerca de 1h30 (são um pouco menores que um longa) que levam muito tempo para ficar prontos; além disso, as estrelas principais têm uma agenda muito complicada e difícil de coordenar, ainda mais pensando no trabalho e tempo que leva pra gravar os episódios da série. Daí sofremos nós, esperando hiatus intermináveis que nos dão 3 ou 4 episódios e tudo acaba de novo.

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“Eu não sou um psicopata, Anderson. Eu sou um sociopata altamente funcional.
Faça a sua pesquisa”

De início, a série recebeu apenas elogios, de todos os lados, e os fãs dos livros  também resolveram adotar e tomar posse da série. Eu inclusa: leio esses livros desde pequena, ainda me lembro do meu espanto em ler que Sherlock ia na farmácia comprar cocaína Bayer, se não me engano – tipo, comprar cocaína na farmácia? E cocaína de marca de remédio? Foi um momento bizarro para a pequena Amanda aqui.

Sherlock é uma adaptação bem livre, então eu esperava que a internet fosse ficar em fúria, reclamando da falta de fidelidade ao texto original. Qual não foi meu espanto em ver os fãs malucos amando a série e o tamanho do fandom! Ela é tão boa que agradou (quase) todo mundo. E meu coraçãozinho de criança que leu todos os Sherlocks antes dos 15 anos ficou pulando de alegria.

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Irene Adler sendo ousada <3: “Eu podia cortar minha mão estapeando o seu rosto”

Alguns episódios são absolutamente maravilhosos – eu dou destaque para “Um estudo em Rosa”, “O grande jogo”, “Um escândalo em Belgravia” e “A queda de Reichenbach” – esse último, para mim, o melhor episódio da série. Na última temporada, que recebeu muitas críticas negativas, eu gostei muito de “O problema final”, que fecha a história (por enquanto… ou não). Entendo as críticas a essa temporada, que foi mesmo mais fraca, sobretudo se você comparar com a primeira temporada e com o melhor episódio… mas eu gosto.

Mas vamos falar dos problemas. Um dos mais graves é a forma como Sherlock retrata as mulheres. Os criadores da série, Steven Moffat e Mark Gatiss (esse último também é o ator que faz o Mycroft Holmes, irmão de Sherlock), inventaram uma personagem feminina ótima, Molly Hooper (Louise Brealey), e a usaram apenas como apêndice de Sherlock; Irene Adler (Lara Pulver), nossa eterna ladra, é colocada como dominatrix; Mary Morstan (Amanda Abbington), interesse amoroso de Watson, é a mulher mais bem escrita, mas ainda tem uns escorregões.

No geral, as figuras femininas caem nos clichês bem batidos – a moça apaixonada platonicamente, a mulher fatal, a esposa com segredos etc. Dá um pouco de tristeza pensar que uma produção com esse tamanho e importância não pensou nessas questões. Apesar disso, eu considero que o problema foi sendo consertado, mas que não totalmente, provavelmente por causa das muitas críticas. As moças passaram a ter mais importância. Porém, ainda poderiam ser melhor escritas.

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Molly dando uma bronca em Sherlock apenas com uma olhadinha de canto

Há também quem reclame de como os dois personagens principais foram adaptados e  interpretados pelos dois atores. E, novamente, eu entendo as críticas, porque ambos são bem diferentes do livro. Mas eu, particularmente, gosto muito do trabalho do Cumberbatch (de novo, sem olhar no google, uhuuu) e do Freeman. Gosto do Sherlock sendo um adoravelmente insuportável. E do John sendo um cara legal, porém sarcástico, e se deixando levar pelo parceiro. Adoro os dois nessa série.

E eu não posso falar dessa série sem citar o melhor vilão: Jim Moriarty (Andrew Scott). Admito aqui para vocês – Moriarty foi meu primeiro crush literário (sim, eu sei, tenho problemas). E uma das coisas que mais me chateava em todas as adaptações feitas de Sherlock era justamente a figura dele – ninguém nunca conseguia chegar perto do que eu queria ver retratado. Não digo que as adaptações da persona do Moriarty sejam necessariamente ruins (algumas de fato são, como o do filme com o Robert Downey Jr.), mas que elas não me agradavam. E aí surge esse irlandês incrível e faz o melhor Moriarty que eu já vi, conquistando de novo o meu coração (como eu disse, tenho problemas). E não foi só o meu coração – os fãs se renderam a Scott e seu Moriarty. tanto que nós ficamos torcendo para que, por qualquer motivo, ele apareça de novo. E, quando isso acontece, a internet vai à loucura.

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A única resposta pra essa pergunta é sim ❤

E agora, vamos ao maior problema: o fandom, ou fã clube. Existem páginas e mais páginas de Sherlock, no facebook, no tumblr, em todo lugar. E esse fãs resolveram que a série é a coisa mais importante das vidas de todo mundo. E resolveram também que podem interferir na trama, no que é ou não canônico e na vida dos atores.

O exemplo mais grave, na minha opinião, foram as AMEAÇAS DE MORTE feitas por ~~fãs~~ da série ao então casal Martin Freeman e a Amanda Abbington (eles eram casados também na vida real). Sim. Você leu direito. Um louco mandou uma foto de um bastão com pregos para o casal, perguntando se podia marcar o funeral. Outro louco escreveu que os dois estavam manchando o nome do Cumberbatch (chupa, google) e que deviam morrer logo. E alguns loucos também ameaçaram a Amanda assim que ela se tornou personagem recorrente na série. E quando os dois anunciaram a separação, a Amanda foi xingada por parte dos fãs.

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“Quem mais me odeia?”

Outro exemplo – se você procurar no google, vai encontrar inúmeras fanfic (histórias de ficção feitas por fãs) colocando Sherlock e Watson como casal, ou Sherlock e Moriarty. Posso dizer que eu sempre brinquei com isso e que eu acharia incrível se o Moffat e o Gatiss colocassem algo assim na série. Mas eles não colocaram. E parte dos fãs se sentiu injustiçada por isso. E daí, mais ameaças de morte, dessa vez aos produtores.

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“As pessoas comuns não são adoráveis?”

Só que esse relacionamento que a gente gostou de criar não está nos livros. Não é canônico. E sim, você pode argumentar que não está nos livros por causa da época em que a obra foi escrita. Ok, concordo, é uma possibilidade. Mas eu não posso simplesmente decidir que o Doyle tinha feito de Watson e Sherlock um casal homossexual e exigir que isso seja retratado – sorry, não posso. E não vou, porque isso, pra mim, equivale a J. K. Rowling, autora de Harry Potter, resolver dizer que várias personagens representam minorias e não explicitar isso nos livros. Não tá explícito, não tem livros novos, não é canônico.

E agora, depois de 4 temporadas, não sabemos se haverá novos episódios. É bem provável que não, mas eu sou brasileira e não desisto nunca existe um fiozinho de esperança, quem sabe…

De qualquer forma, se você não assistiu, vá lá e assista.

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Também preciso dormir.

 

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