The Office – <3

Existem algumas séries que eu chamo de “Séries da minha vida”, porque mudaram meu jeito de ver televisão, de interagir com os mundos ficcionais – me levaram a fazer parte de fandom, a discutir roteiros e falhas de roteiro, a defender personagens, a ficar muito irritada, a chorar que nem uma maluca, a torcer por casais. Sabe, essas coisas que a gente faz quando assiste algo de que gosta muito.

Uma delas é a da imagem que enfeita esse pequeno blog – The Office. E hoje eu estou com vontade de falar dos meus amores de Scranton, então vamos a eles.

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Um recorde – 6 dias sem algo nonsense

Essa que eu assisti e amo é a versão americana da original britânica, criada pelo Ricky Gervais e pelo Stephen Merchant (dois humoristas… peculiares ahhaha). O curioso é que eu tentei assistir um episódio da original, mas a vergonha alheia foi maior do que eu consegui aguentar, daí não rolou.

Vergonha alheia? Pois é – The Office é uma série que te dá até nervoso no início, de tanto que você sente vergonha pelo Michael Scott (Steve Carell). Eu quase a abandonei no segundo episódio, porque era tudo absurdo demais, eu não tava conseguindo lidar com aquele chefe e aquelas pessoas e aquela vida de escritório. Mas daí eu falei pra mim mesma – vou aguentar até o 4º. Se não der, paro.

Estava criada a minha regra dos 4 episódios, já falei dela zilhões de vezes =P

E estava também começando um grande amor da minha vida de seriadora.

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“Eu quero que as pessoas tenham medo do quanto elas me amam”

Do que se trata – é uma série no formato de pseudo documentário que acompanha o dia a dia de uma empresa de papel fictícia, a Dunder Mifflin. Sim, parece uma ideia péssima acompanhar a rotina de uma empresa que vende papel. E, no entanto, é uma das melhores séries que você vai assistir na sua vida. Tudo é muito bem estruturado: as personagens, os atores, o roteiro, as piadas com referências à cultura pop, os absurdos que o Michael comete, Pam Beesly (Jenna Fischer) e Jim Halpert (John Krasinski) – o casal por quem todo mundo torce e que estragou as espectativas de vida amorosa de todo mundo -, qualquer coisa que o Dwight Schrute (Rainn Wilson) faça, as pessoas mais malucas do mundo trabalhando juntas, tudo. Até quando exagera é boa – e ela exagera um bom número de vezes.

Eu vejo essa série uma vez por ano, só pra lembrar como é boa, e fico ali, feliz e rindo de novo das mesmas situações absurdas.

No meu último post, eu falei sobre o Michael ser uma das piores pessoas de todas as séries. E ele é. Mas isso não é um problema ou motivo para você não assistir, muito pelo contrário – os preconceitos dele e os absurdos que ele faz/diz são usados justamente para criticar esses pequenos hábitos, pequenas discriminações que nós cometemos até sem notar. Quando o Michael exagera, nós rimos, mas também vemos que aquela situação não é tão impossível. Os momentos em que o Michael pergunta pras mulheres se elas estão de tpm, pra saber se pode levar a sério a irritação delas; as piadas sexuais com os empregados; as gags racistas; praticamente tudo que ele faz vai te lembrar alguém, alguma situação e vai fazer você pensar, nemque seja um pouco. Ele é um personagem muito querido, talvez o mais querido da série, mas nós sabemos que ele tem problemas bem sérios a resolver. E como tudo é bem estruturado, o lado “bom” dele é bom o suficiente pra você, mesmo sabendo que ele é uma pessoa horrível, continuar gostando dele.

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Olha que chefe legal, quer te obrigar a dançar no horário do expediente.
Sim, ele meio que faz isso nesse episódio.

E temos também a melhor dupla de amigos/inimigos de todas as séries que eu assisti: Jim e Dwight. Os dois vendedores de papel são muito bem trabalhados dentro da narrativa e os atores são incríveis – amamos ver as milhares de pegadinhas hilárias do Jim e as reações inacreditáveis do Dwight. O relacionamento deles nasce do fato de um não suportar o outro, evolui para uma mistura estranha e engraçadíssima de amizade/inimizade para, por fim, restar só uma amizade bastante verdadeira. E, no meio disso, muitas risadas nossas. Mesmo eu, que não acho graça em pegadinhas (sérião, não esboço um sorriso assistindo aqueles vídeos do Sílvio Santos), não consigo não rir. É um dos pontos altos da série, sem dúvida.

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Jim imitando Dwight – “Ursos. Beterrabas. Battlestar Galactica.”

E o casal, ah, o casal. Não tem como não amar Pam e Jim. Não tem como não ficar feliz e emocionado quando finalmente dá certo (isso talvez fosse um spoiler, mas a série acabou em 2013, então não vou considerar hahah). Acompanhar o Jim sofrendo é difícil, mas a recompensa de ver os dois juntos depois faz valer a pena. E ver a Pam crescendo é importante – ela precisava mudar, precisava ser outra Pam, encontrar a coragem que não tinha.

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Eu adoro isso ❤

Todas as personagens de The Office são incríveis, cada uma a seu modo. Por serem muitos, a série nunca cai na mesmice. Mesmo quando chegaram pessoas novas – eu tive medo de que não desse certo incluir outras personagens, que ficaria confuso. Mas não – a série tem alguma magia que consegue te fazer acompanhar várias histórias, problemas e crises sem achar maçante, ou muito complexo. Palmas para a direção e roteiro.

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Natal Dunder Mifflin

Aliás, alguns dos atores da série também são roteiristas, algo arriscado, mas que funciona como um relógio.

A série é muito bem amarrada, pelo menos até o meio/final da sétima temporada, que é quando o Steve Carell decide sair. Foi difícil ver o Michael ir embora, e eu cheguei a parar de assistir na época. Ainda que ele não seja meu preferido, a série perdeu muito da força com a saída dele, e me pareceu que todo mundo ficou um pouco perdido. Preencher o vazio que ele deixa foi difícil (that’s what she said), e eu acho que esse foi o erro – tentar preencher o lugar do Michael. Quando os roteiristas finalmente entenderam que não dava pra encontrar um novo Michael, a série voltou a andar, mas nisso perdemos quase uma temporada.

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Todos ficamos tristes, Michael. Todos ficamos.

Como às vezes acontece, o último ano é justamente quando a série está voltando ao seu melhor (está acontecendo com Scandal esse ano, inclusive). Alguns dos episódios da nona estão na minha lista de preferidos, até porque as pontas começam a ser fechadas. E aí chegamos ao final, que fecha bem o ciclo. Ficamos tristes de nos despedir dessas pessoas, e por isso voltamos sempre a assistir: existe uma comunidade bastante numerosa de fãs que reassiste em looping a série no mundo todo, sobretudo na Netflix americana – não, não tem na Netflix brasileira, só na Amazon. E eu vos digo que vale a pena pagar a assinatura da Amazon só por causa de The Office. Sério mesmo.

The Office é um dos amores da minha vida. Amo, amo, amo. Vai morar pra sempre no meu coração e eu ainda vou conseguir comprar o box com a série completa (mais uma das odisseias de consumo impossíveis da minha vida).

Se você não assistiu, assista. Vale cada minuto. Você não pode morrer sem assistir The Office (na verdade, pode, mas não faça isso com você mesmo).

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Não seja uma vadia ignorante e siga meu conselho =P
(Brinks. Na verdade eu só queria um motivo pra usar esse gif)

 

 

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2 comentários em “The Office – <3”

  1. Eu simplesmente AMO! The Office. Assim mesmo, com letra maiúscula e exclamação. É só a melhor coisa que vi na TV em toda a minha vida. Só de ler seu texto me veio à mente esse sentimento que tenho por cada personagem, casa ator e atriz.

    Eu diria que as cinco primeiras temporadas são espetaculares. Comédia pura, é uma aula de roteiro. As sacadas são tão geniais e totalmente na contramão das comédias que tentam ofender para nos fazer rir, que às vezes eu me pegava simplesmente voltando para o início para saber quem escreveu tanta genialidade — e claro, para ri de novo.

    Não consigo dizer o que eu mais gosto na série. Se é a ideia simples em acompanhar a vida em Scranton, se são os personagens e como eles evoluem em nove temporadas, se é o Pam & Jim, se é o Dwight… MICHAEL! Uau, eu também espero ansiosamente para que o box seja disponibilizado novamente!

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