The Following – serial killers e Edgar Allan Poe

Hoje resolvi falar de uma série que já terminou e que eu indiquei para muitas pessoas – The Following. Sangrenta, com serial killers, com assassinatos inspirados em contos de Edgar Allan Poe, é bem simples entender porque ela fez muito sucesso quando foi lançada, em 2013, e porque eu amava essa série – juntou serial killers e Poe, já ganhou a minha atenção.

Antes de qualquer coisa, aviso – não espere uma série intelectual só porque tem Poe, tá bem? =P

Ao todo, foram 3 temporadas, sendo que acabou depois de um cancelamento, mas a tempo de se fazer um final. Já adianto que a primeira temporada é a melhor de todas, ainda que eu veja alguns momentos muito bons nas outras duas também. Falarei mais sobre isso.

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Alguns dos personagens principais, com Joe Carrol (no centro, de colete) e Ryan Hardy (à frente, em destaque)

A série retrata uma bela disputa entre o agente do FBI Ryan Hardy (Kevin Bacon) e o assassino já preso e condenado Joe Carroll (James Purefoy). Ryan foi o responsável por colocar Carroll na cadeia, após descobrir uma série de assassinatos de mulheres que o então professor de literatura havia cometido – aliás, é daí que vem a primeira ligação da série com Poe: Carroll dava aulas sobre o autor americano, e até mesmo o livro que ele escreveu tem como inspiração a obra de Poe.

A trama é cheia de reviravoltas, surpresas e, ao mesmo tempo, os grandes clichês das histórias policiais e de suspense. A série começa com a fuga de Joe Carroll e o retorno de Ryan Hardy às investigações do FBI, depois de uma breve aposentadoria regada à álcool (aqui, primeiro clichê: o investigador que se aposenta e fica perdido na vida até o retorno de seu nêmesis). Mas eu falo sério quando digo que aparecem muitas surpresas, sobretudo nas mortes das pessoas: tudo acontece de forma inesperada, personagens se revelam como vilões, matam outros ou se matam, mandam recados, tudo costurado pelos contos do Poe. E, aviso – é muita morte, muito sangue. Não recomendo para quem é sensível a imagens mais fortes.

Com o passar do episódios, você vai entendendo o que está acontecendo, e eu não vou explicar muito para não dar muitos spoilers (ainda que já esteja na marca dos 5 anos). Porém, preciso explicar um detalhe, que é o que me fez amar essa série: trata-se de um grupo de serial killers, uma espécie de seita, dispostos a matar e morrer. Não é só o Carroll que mata – temos os tais seguidores do título. E esses seguidores podem ser QUALQUER PESSOA. E é quase impossível pará-los, impedi-los de matar: primeiro, porque o FBI não sabe quem são e quantos são; segundo, porque eles são serial killers seguindo um chefe, não precisam de motivação clara pra matar; e terceiro, porque eles podem estar (e estão) em todos os lugares, misturados às pessoas do cotidiano, aos amigos, aos colegas de trabalho. Pode ser aquele professor, ou o motorista de ônibus, o vendedor, a amiga de longa data. Qualquer pessoa mesmo.

“Eu pareço um(a) assassino (a)?” / “Até serial killers têm amigos”

Carroll tem uma ex-esposa, Claire Matthews (Natalie Zea) e um filho, Joey Matthews (Kyle Catlett), que também entram na trama – claro que, ao fugir da cadeia, o pai e ex-esposo iria atrás da sua ~família~ (outro clichê?).

A primeira temporada abusa da tensão causada pela incerteza – Ryan (e você que está assistindo) não sabe em quem pode confiar. Depois das primeiras vezes em que os vilões se revelam, você realmente passa a desconfiar de absolutamente todas as pessoas. Aos poucos, os fatos vão se ajeitando e a trama se desenrola para um final. Aqui cabe dizer que essa temporada funcionaria bem como história fechada, ou seja – ela tem um desfecho, ainda que aberto para a segunda.

Assim como em La Casa de Papel, o plano principal é muito bem arquitetado pelo cérebro da operação – no caso, Carroll. Ele, na verdade, traça o plano como se estivesse escrevendo um livro, pensa em detalhes mínimos, com a ajuda dos seu seguidores, e tratando Ryan como personagem e co-autor. Até o último momento sempre parece que ele vai tirar uma carta na manga – mas claro que, algumas vezes, o plano não sai exatamente como combinado (clichê? sim, mas bem usado).

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“Vai ser nossa obra-prima” – diz o cara que tá mandando matar para o agente do FBI que quer parar com a matança

Mas o maior clichê é de fato a disputa entre Carroll e Ryan. Os dois são ótimos antagonistas e, muitas vezes, parecem dois lados de uma mesma moeda. A insistência de Carroll em ressaltar esse ponto irrita um pouco, mas nós, espectadores, não podemos negar que ele tem alguma razão. É clichê colocar herói e vilão como dois lados de um espectro, mas, aos mesmo tempo, também nós faz simpatizar (ou quase) com ambos, então acaba funcionando. Como eu digo sempre, clichês existem por uma razão.

Claro que a série não é perfeita – existem alguns defeitos, como o foco no alcoolismo (ora em excesso, ora desaparece) e as falhas recorrentes no marcapasso de Ryan (ele usa marcapasso por causa de um ataque de Carroll), os momentos em que o roteiro parece querer simplesmente facilitar a fuga dos vilões, as motivações de alguns dos assassinos, que parecem, por vezes, meio forçadas e etc. Mas a tensão e a movimentação da série te prendem, ganham suas atenções e você se vê querendo chegar ao final daquela história.

The Following 1

Eu gosto dessa imagem

Eu assisti as três temporadas e considero a primeira realmente muito boa. E a minha impressão é que os produtores, por não ter certeza de renovação, usaram as melhores armas nessa temporada. Por isso, a segunda e a terceira às vezes soam como “mais do mesmo”, ainda que algumas atuações e alguns arcos sejam muito interessantes. Não vou dizer quais – se eu der nomes de personagens aqui, vou revelar muito sobre o futuro da série, e aí perde a graça.

Não é uma série que vai mudar sua vida, mas é um passatempo interessante e curioso. E com The Following você vai aprender também que, ao contrário do que mostra qualquer filme de ação, pessoas podem morrer de facadas facilmente. True Story.

Se você gosta de serial killers, de séries de suspense e não se incomoda com banhos de sangue à la Tarantino, vai em frente. E me conte depois se curtiu =D

 

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2 comentários em “The Following – serial killers e Edgar Allan Poe”

  1. Adorei essa série, uma das minhas queridinhas ( e Kevin Bacon ❤️)! Realmente a primeira é a melhor disparada, redondinha.. e leno o seu post lembrei da Série “ Marcella “ com os mesmos clichês mas adorei da mesma forma, se eu não me enganos são os mesmos clichês! Kkkk mas tb bem surpreendente e me fez desconfiar até das minhas gatas!! Bjoos

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