House of Cards – uma série tão incrível e um assediador no papel principal

House of Cards me conquistou nos primeiros 5 minutos. Kevin Spacey olhando para a câmera, falando com o público e quebrando a quarta parede (e o pescoço de um cachorro). É daquelas séries que mudaram a história de como as séries são feitas – inclusive porque ela é a grande responsável por dar impulso às produções originais da Netflix. E, como todos nós sabemos agora, o ator principal, a pessoa por trás do Frank (que eu sempre chamei de Francis, porque sou dessas) Underwood, é um predador, assediador há mais de 20 anos e que ficou ileso, fazendo filmes que estão na lista de preferidos de todo mundo, ganhando respeito e rios de dinheiro, sendo influenciador, todo esse tempo. E tudo mudou graças aos movimentos “Time’s Up” e “Me too”.

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Um predador sem escrúpulos, e não só na ficção

Foi difícil ver as notícias. Gente, entendam – eu adooooro uma boa série de política e poder. Eu amo Scandal, mesmo nas temporadas que ela estava meio ruim. Eu assisti The Good Wife até o final – e quem assistiu sabe que isso é demonstração de força =P. Eu amo House of Cards com todo meu coração. E estou feliz que, pelo menos, a trama já estava se encaminhando para deixar a Claire Underwood (a DIVINA Robin Wright) em primeiro plano – não vou dar mais spoilers, mas sempre vi a Claire como a grande personagem da série e a mudança de liderança dentro da trama não é de hoje, nem da última temporada. Na verdade, pra mim, essa mudança se desenha desde a segunda temporada, quando a Claire começa a ter cada vez mais poder.

Essa postagem vai ficar um pouco confusa, talvez. E longa. Peço desculpas de antemão, mas eu não posso simplesmente comentar a série sem falar do elefante na sala de estar que são os crimes do Spacey.

“Ué, Amanda, mas você já condenou o cara?”. . Não fui a única, mas, é, já condenei.

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A cena do cachorro, que hoje representa a carreira do Spacey: “Momentos como esse pedem alguém que vá agir”

Frank Underwood é um do melhores protagonistas de série que eu já vi. Ele é a pior pessoa da face da terra e não esconde do público – pelo contrário, o público funciona como testemunha e confidente unilateral. Mais do que isso: nós somos como uma espécie de momento no chuveiro, sabe? Quando todo mundo canta, repassa na cabeça aquela discussão para a qual você achou um argumento perfeito meia hora depois, treina discursos de recebimento de prêmios. Nós somos o quarto seguro do Frank. E eu amo odiar o Frank – sobretudo por causa de um… incidente no começo da segunda temporada que me fez gritar com a tv e discutir mesmo com o Frank, como se ele estivesse na sala.

Só que, agora, a vida real provou que Spacey também é uma péssima pessoa. E aí? Como ficamos nós, o público?

Ficamos estarrecidos. Eu, pelo menos, fiquei. E torcemos para que o final da série amarre um pouco as pontas soltas. Porém, como eu falei ali em cima, a trama já estava se voltando a um final amargo para o Frank. Não sei se a série duraria muito mais, mesmo sem o escândalo – a série original, inglesa, teve apenas 3 temporadas e eu descobri, sem querer, qual foi o final dela (não vou dizer, mas, se você assistiu as temporadas, não fica muito difícil imaginar).

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“Eu nunca deveria ter feito de você um presidente”

Agora, num nível mais pessoal – eu me sinto traída. Não só por ele, por todos esses homens que nós descobrimos serem nojentos. E eu sei que o que eu sinto ou deixo de sentir não importa nada perto do que as vítimas dessas pessoas passaram. O que me dá algum alento é saber que esse tipo de crime não vai sempre passar impune, finalmente. Finalmente!

Queria ter vindo aqui apenas para elogiar essa série que me viciou tanto, que me fez contar os dias pras novas temporadas, que nos mostrou o SENSACIONAL ator Michael Kelly, que faz o Doug Stamper, que me deu fome de comer costelas com molho barbecue, que nos trouxe a maravilhosa Claire, que teve tantas reviravoltas… que mudou a história das séries. Infelizmente, por causa de um indivíduo, House of Cards vai terminar nos deixando um gosto amargo na boca.

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Doug Stamper, uma das melhores/piores pessoas da série

“Tá, mas e aí? Se eu não assisti até hoje, devo começar?”

A minha resposta é: sim, com ressalvas. Sim, porque todo o resto do elenco nada tem a ver com isso. Ao menos um deles foi, inclusive, assediado – Nathan Darrow, que fez o segurança Edward Meechum, por exemplo. O roteiro é divino (não em todas as temporadas, mas na maior parte). No entanto, essa decisão é muito pessoal, e eu não sei se conseguiria começar agora a série, se nunca tivesse visto. Ainda assim, acho importante falar dela, por ser um marco e porque os assédios e as punições tem que permanecer nas nossas memórias. Mais um motivo para odiar Spacey – nem recomendar direito essa série eu posso mais.

E vida longa aos dois movimentos que estremeceram Hollywood.

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Oh yeah. E esperamos que seja bom.

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