Godless – mulheres fortes e história direta ao ponto

Faroeste – você conhece o gênero: cidades pequenas no meio do deserto, bandidos, xerifes, o mocinho da história e as mocinhas indefesas e/ou prostitutas. Certo?

Quase. Em Godless, o cenário é o tradicional, temos bandidos, mocinhos, xerife. A grande diferença aqui está justamente nas mulheres – ninguém poderia chamá-las simplesmente de indefesas ou dizer que elas estão nos papéis de sempre.

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Bem-vindos à terra de nenhum homem

A trama se passa em La Belle, cidade que, como muitas nessa época, era mantida pelos lucros do trabalho na mina de carvão. Até que, um dia, acontece um acidente na mina que mata quase todos os homens da cidade. Assim, La Belle se torna um lugar habitado por mulheres, crianças, alguns idosos e dois homens – o xerife e seu ajudante.

Sem os homens, as mulheres se transformam em donas de si e do seu destino, além de responsáveis por tudo e todos. A viúva do prefeito, Mary Agnes (Merritt Weaver, totalmente maravilhosa, melhor pessoa da série) passa a tomar conta da cidade; a prostituta Callie Dunn (Tess Frazer) se torna professora; todas as mulheres se unem para construir uma capela, fazer reparos, cuidar de tudo. A cidade continua a funcionar.

E é nesse momento que surge Roy Goode (Jack O’Connell), o mocinho/bandido que aparece ferido no rancho de Alice Fletcher (Michelle Dockery, outra maravilhosa). Alice já era uma mulher emancipada antes do acidente na mina e mostra, sempre que necessário, que não vai deixar ninguém tomar o que é dela, nem sua liberdade.

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Mary Agnes (à esquerda) e Alice Fletcher sendo maravilhosas

Acontece que nosso mocinho/bandido está fugindo de outro bandidão, Frank Griffin (Jeff Daniels, também incrível), que prometeu morte a qualquer um que abrigasse Goode. E, daí por diante, a trama se desenrola.

Por que vale a pena: as atuações, a história, os assuntos tratados (fala-se de racismo, sexualidade, violência, superação, amizade, cumplicidade e muitas outras coisas). Vale a pena por tudo. Se você assistiu Downton Abbey, vai querer ver a nossa amada Lady Mary sem sotaque inglês; se você gosta de faroeste, vai curtir as brigas e os muitos tiros; se você gosta de histórias diferentes do normal, também vai ficar satisfeito; se você é mulher e quer ver uma representação diferente de mulheres nessa época, corra para a Netflix.

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Roy Goode (à esquerda) e Frank Griffin quando ainda eram amiguinhos

Como essa é uma série curta, apenas sete episódios, e com história fechada, não há tempo para enrolação – é tudo direto ao ponto. Mesmo as personagens que, de início, parecem menos importantes (diante de tanta gente incrível) importam e tem seu papel. O desenrolar é no ponto, nem muito rápido, nem muito devagar. Não há excessos ou faltas. É de fato uma grande obra e entra na categoria você deveria estar vendo isso agora. Mas veja sem pressa, curta a história devagar; eu não acho que essa é uma série para maratonar numa noite.

Para quem não é fã de faroeste, pode ser um pouco cansativo, no começo. Eu mesma não curto muito esse estilo, fui assistir por causa da Michelle Dockery e porque sentia que era um série diferente. E, de fato, é bem diferente do que eu estou acostumada a ver. A trama vai te preparando para o confronto final, acertando o terreno; quando ele acontece, não dá pra não ficar grudado assistindo. Mesmo eu, que tenho preguiça enoooorme de lutas/brigas/tiroteios longos em séries, gostei. Aliás, isso de cenas de luta longas são a minha maior crítica às séries Marvel – ainda que eu entenda porque elas acontecem, acho cansativo passar 5/10 minutos vendo porrada e tiro sem cessar, sempre perco a concentração e vou fazer outra coisa, olhar o celular etc. Não tive isso com essa série.

Tenho críticas a algumas mortes do último episódio (sim, morrem pessoas, é faroeste, né?), mas vou deixar para vocês tirarem suas conclusões sozinhos. Quem assistir vai saber do que eu tô falando =P

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Só porque amei esse cartaz

Já assistiram a série? Pretendem assistir? Será que eu fui capaz de convencer vocês a darem uma chance pra essa história? Me contem!

Até mais, pessoas.

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